Fundação Mário Soares      Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! – NAM Instituto de História Contemporânea
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A Voz das Vítimas

Colecção de postais da Exposição A Voz das Vítimas.

Cartaz da exposição A Voz das Vítimas, da autoria de Henrique Cayatte, 2011.
Grupo de presos políticos e sociais, civis e militares, encarcerados numa sala colectiva do 2.º piso do Aljube, no início dos anos 30.
Página do diário manuscrito por João do Carmo Miranda de Oliveira na Cadeia do Aljube, para onde foi levado a 24 de Julho de 1929, descrevendo alguns aspectos da vida de um preso político: os sucessivos interrogatórios, a rigorosa vigilância, a prisão, e a resistência à violência dos carcereiros. Miranda de Oliveira seria depois deportado para o campo de concentração de S. Nicolau, em Cabo Verde.
Manuscrito de António Gato Pinto, preso na Cadeia do Aljube, e posteriormente deportado para Angra do Heroísmo e daí para o campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde esteve cerca de 13 anos. Neste excerto dos seus apontamentos dá testemunho da morte de dois companheiros no Aljube, em resultado das torturas recebidas e da carência de alimentação e de assistência médica, 26 de Abril de 1934.
Manifesto de um grupo de deportados do campo de concentração em Oekussi, Timor, de onde conseguiram fugir. Descrevem o envio, em 1931, de centenas de deportados para aquela ex-colónia. Datado do navio holandês que os recolheu após a fuga, 28 de Fevereiro de 1932.
Fotografia da entrada do Campo de Concentração do Tarrafal, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. Distinguem-se, além da entrada fortificada, a vala e o muro que delimitava o campo e dois pavilhões de celas colectivas, ainda em construção. A Colónia Penal do Tarrafal, foi criada a 8 de Outubro de 1935 por despacho de António Oliveira Salazar. Os primeiros presos políticos chegaram ao Tarrafal em 29 de Outubro de 1936, um ano após o despacho. O campo funcionou até 1954, sendo reaberto entre 1961 e 1974.
Desenho de Malangatana representando uma sala de castigo da PIDE, na Prisão da Machava, em Moçambique, 28 de Maio de 1965. Malangatana Valente Ngwenya foi preso duas vezes pelas autoridades coloniais entre 1965 e 1966, período em que produziu um conjunto de desenhos retratando a vida e os sonhos de um prisioneiro e dos seus companheiros de prisão.
Cartaz do Comité Italiano para a Amnistia e as Liberdades Democráticas em Portugal, da autoria de Henrique Ruivo, apelando aos democratas italianos que manifestem a sua solidariedade para com a Resistência Portuguesa, na sequência de 35 anos de ditadura salazarista e da prisão de inúmeros oposicionistas. O cartaz foi realizado para a Conferência para a Amnistia aos Prisioneiros Políticos em Portugal, que teve lugar em Paris, de 15 a 16 de Dezembro de 1962.
Primeira página da Circular n.º 5 da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, de 10 de Agosto de 1970, com o título "Um Portugal desconhecido", referindo-se aos métodos utilizados pela polícia política para a instrução dos processos criminais, nomeadamente a obtenção da "confissão" através de tortura e sevícias. Estes métodos (espancamento, ameaça de morte, privação do sono, isolamento prolongado), largamente denunciados pelos próprios arguidos em tribunal, contavam com a cumplicidade e complacência dos juízes, do Ministério Público e dos Tribunais Plenários.
Conjunto de objectos arqueológicos, correspondentes à ocupação romana e moderna da antiga prisão do Aljube. Alguns deles, como os bispotes, são objectos de típico uso prisional. Os dados e os crucifixos, por seu lado, serão obra de presos detidos no cárcere eclesiástico do Aljube.

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